sábado, junho 28

O Fim dos Tempos (e da paciência)...


M Night Shyamalan apareceu para o mundo em 1999, principalmente por seu segundo filme, O Sexto Sentido. Seu primeiro trabalho, O Pequeno Stuart Little, apesar de bem sucedido e ter gerado uma seqüência, não colocou o cineasta americano, descendente de indianos no mapa das celebridades. Pelo menos, não da forma como passamos a associar seu nome a filmes misteriosos e com uma grande revelação no final.

A filmografia de Shyalaman passa essencialmente por alguns elementos que se repetem nesse seu novo longa, O Fim Dos Tempos (The Happening). O suspense está lá. As suposições e conclusões tiradas ao longo da história também. Personagens atormentados e introspectivos, quase anti-heróis continuam povoando as narrativas. Até o próprio diretor, aparecendo numa ponta, quase despercebido, tudo está presente em The Happening.

O grande problema deste e de outros filmes do diretor, espacialmente Sinais e Dama Na Água, é que a história contada beira o ridículo, o nonsense, resvalando para um filme-B não intencional, quase constrangedor.

Aqui temos Mark Wahlberg no papel de um professor de Ciências numa escola secundaria da Filadélfia. Ele tem problemas no casamento e uma vida sem muitas novidades até que se vê sorvido por um redemoinho de fatos inexplicáveis que começam a assolar a região nordeste dos Estados Unidos, de Boston até sua cidade. Rumores de ataques terroristas chegam em noticias confusas e logo as pessoas estão fugindo, sem saber realmente o que estão fazendo.

Ao longo do caminho, Wahlberg, sua esposa Alma (vivida pela interessante Zooey Deschanel), o colega Julian (um professor de Matemática, vivido pelo correto John Leguizamo) e a filha deste, Jess (Ashlyn Sanchez) vão notando que quase nada pode deter os acontecimentos e que só lhes resta esperar, resignados pelo destino.

A idéia de Shyalaman tem méritos mas eles estão longe de fazer valer a visita à sala escura. A trama se explica de maneira patética e parece jogada na cara do espectador como uma torta. As cenas de tensão – uma marca registrada do cineasta – estão frouxas e resvalam para a auto-caricatura não intencional e comprometem qualquer possibilidade de se levar The Happening a sério.

Mesmo a badalada teoria de que o ser humano está infligindo danos tão graves ao planeta que pode ser repelido como se fosse um vírus num organismo doente, soa como um mero recurso mal utilizado. É criado um clima de tensão ao longo do filme que acaba de maneira anti-climática e tola, confundindo valores, situações e mesmo conceitos como “instinto de sobrevivência” numa salada pseudo-ecológica de feira de ciências. Passe longe e aproveite para rever o que Shyalaman já foi capaz de fazer, extraindo belas atuações de Bruce Willis (um canastrão assumindo) em O Sexto Sentido e em seu melhor – e mais subestimado filme – Unbreakable, pobremente traduzido para o português como “Corpo Fechado”.


2 comentários:

Rodrigo disse...

Não achei tão ruim, mas certamente tem um quê de ridículo no filme. Dizem que ele fez um filme B intencional. Ou não. Pra mim, nota 6. Poderia ser muuuuito melhor. Sinais pra mim é o pior. Não vi A Dama Molhadinha.

Adriano Mello Costa disse...

Eu fiquei "constrangido" mesmo em algumas partes do filme. Concordo contigo, parece o filme B e o Mark Whalberg está muito, mas muito ruim...Nao vale o ingresso. Nem dado. Abs.